7 de abril de 2015

Arvorismo no Parque dos Igarapés


O Parque dos Igarapés é um complexo ecológico localizado em Belém, perfeito pra quem quer fugir dos prédios e do trânsito no fim de semana, sem precisar ir longe. Do centro da cidade, calculo de 20 a 30 minutos pra chegar até lá. O Parque tem uma área enorme, o suficiente pra se perder, com piscina, igarapés, restaurantes, chalés para se hospedar, campinhos de futebol e, o mais legal, uma grande estrutura para esportes de aventura, como arvorismo, tirolesa e rapel. Tudo isso num ambiente onde a natureza foi bem preservada pelos proprietários, da família Cattete Pinheiro.

O arvorismo é coordenado pela equipe do Amazônia Aventura, que tem profissionais super competentes e muito simpáticos e atenciosos. Eles oferecem três circuitos: iniciante, intermediário e avançado. Escolhemos o intermediário, que, para uma pessoa sedentária (como eu estava na época) não é nada, nada fácil. Mas pra mim valeu até a última gota de suor e valeu até as pernas e braços tremendo no final de tanto esforço. A travessia de todas as pontes do circuito, indo e voltando, com o nosso grupo  de 6 pessoas durou mais ou menos 1h30. O final é delicioso porque é uma descida de tirolesa! Cá entre nós, acho que é um erro escolher o avançado se você não tiver realmente preparo físico. Para as mulheres, é bom avisar que alguns trechos exigem muita força nos braços, coisa que a maioria de nós não tem naturalmente.


Preços: Faz alguns meses que fizemos esse passeio, mas, salvo engano, o circuito intermediário custou R$ 35,00. Além disso, também é preciso pagar a entrada no Parque, que custa R$ 15,00, que dá direito a usufruir de todas as áreas de lazer do local. 

O bom é que logo depois que você termina o circuito, pode ir logo fazer seu pedido em um dos restaurantes e tomar um banho na piscina pra se refrescar enquanto espera a comida. Fiquei com vontade de voltar lá agora mesmo só de lembrar desse dia.

Onde fica: O Parque dos Igarapés fica na Travessa WE 12, nº 1000, bairro do Satélite. Abre de terça a domingo durante o dia. Telefone: (91) 3248-1718. É bom ligar antes pra ter certeza de que o serviço de arvorismo vai estar funcionando normalmente.





1 de março de 2015

5 filmes distópicos

Ainda que você não saiba o que é uma distopia, sem dúvida, já viu muitos filmes distópicos na vida. Distopia é uma situação fictícia em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação. Crises, guerras, governos que usam formas de controle extremo da sociedade etc., ou seja, o contrário da utopia. É um dos gêneros que mais rendem roteiros criativos e interessantes, que fazem refletir seriamente sobre como seria viver determinada situação, como Matrix, Minority Report, V de Vingança e Ensaio sobre a Cegueira, pra citar alguns. Here are the nominees:

1. Guerra Mundial Z (2013)

Uma terrível e misteriosa doença se espalha pelo mundo, transformando as pessoas em uma espécie de zumbis. A velocidade do contágio é impressionante e um ex-investigador da ONU, Gerry Lane (Brad Pitt), é recrutado para investigar. Ele precisa percorrer o caminho inverso da contaminação para tentar entender as causas ou, ao menos, identificar uma maneira de conter o contágio até que se descubra uma cura antes do  apocalipse. Direção: Marc Foster.

Povo da minha alma, nunca um filme me deixou mais nervosa nesta vida. Eu saí do cinema com as dez unhas das mãos roídas, pois, além de tudo, vi em 3D. O filme já começa tocando o terror, nos primeiríssimos minutos, sem perder tempo explicando como tudo começou. Assim como na série The Walking Dead, o que importa não é a causa da doença, mas, sim, mostrar as consequências. Diferente de outros filmes de zumbis, neste aqui os mortos-vivos são extremamente velozes e fortes e a transformação acontece em poucos segundos.

2. Interestelar (2014)

Vencedor do Oscar de melhores efeitos especiais deste ano (na minha opinião, merecia ter sido indicado a melhor roteiro original também), é um filme que retrata um futuro que muitos temem: a Terra está se tornando um ambiente inabitável, em função do insustentável modo de vida do homem. Pragas nas colheitas fizeram a civilização regredir para uma sociedade agrária. O ex-piloto da NASA Cooper (Matthew McConaughey) - hoje agricultor - descobre mensagens codificadas no quarto de sua filha, enviadas por uma inteligência desconhecida, e acaba chegando a uma instalação secreta da NASA. A partir daí ele é recrutado para uma missão junto a um grupo de astronautas, que pode ser a última esperança de salvar a espécie humana. O objetivo é encontrar possíveis planetas habitáveis em outras galáxias. A viagem é possível graças à descoberta de um buraco de minhoca. Direção: Christopher Nolan. 

É uma história longa e complexa pra caramba, mas um dos melhores filmes de ficção científica que já vi. O roteiro, feito com a ajuda de um consultor científico, usa muitos conceitos da física - alguns já comprovados e alguns que ainda são possibilidades teóricas -, como gravidade, relatividade, buraco negro e buraco de minhoca. "Ah, mas tem umas coisas absurdas também". Sim, claro, porque é uma obra de ficção. 

3. Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

Will Rodman (James Franco) realiza experimentos em laboratório com macacos, a fim de descobrir novos medicamentos para a cura do Alzheimer, doença que acomete seu pai, mas depois que um dos macacos escapa e provoca vários estragos, sua pesquisa é cancelada. Will leva para casa algumas amostras do medicamento, que aplica no próprio pai, e também um filhote de chimpanzé de uma das cobaias do laboratório. O pai não apenas se recupera como tem a memória melhorada. Já o filhote, que recebe o nome de César, demonstra ter inteligência fora do comum, em função dos experimentos. Anos mais tarde, o remédio para de funcionar no pai de Will e, na tentativa de defendê-lo, César ataca um vizinho. O macaco é então engaiolado, onde passa a ter contato com outros símios e, revoltado com sua situação, lidera um confronto contra os homens rumo à liberdade. Direção: Rupert Wyatt.

Não vi todos os filmes da série de remakes e continuações baseadas no mesmo livro, Planeta dos Macacos, mas acho esse filme incrível. César é tão real que, pela primeira vez, não consegui distinguir os traços de computação gráfica em um personagem. Toda a história é conduzida pelo olhar dele, que consegue gerar uma empatia muito grande, mesmo quase sem falas. Aviso: neste filme você NÃO vai torcer pelos humanos.

  4. WALL-E (2008)

Oscar e Globo de Ouro de melhor animação. A história segue um raciocínio parecido com o de "Interestelar", mas, no caso de WALL-E, a humanidade já deixou a Terra e passou a viver em uma gigantesca nave. O planeta está entulhado de lixo e a atmosfera, poluída de gases tóxicos. O plano inicial era que o retiro durasse apenas alguns anos, enquanto robôs limpariam o planeta. Muito tempo depois, Wall-E é o último destes robôs. Ele se mantém funcionando graças ao auto-conserto de suas peças. Sua solitária vida se resume a compactar lixo e colecionar objetos curiosos que encontra. Até que um dia, surge um novo robô, Eva, por quem ele se apaixona. Juntos, eles embarcam em uma jornada espacial que decidirá o futuro da humanidade. Direção: Andrew Stanton

Aqui também somos conduzidos pelo olhar de um personagem não humano e sem falas e que, mesmo assim, emociona até o mais sério dos expectadores. É um dos melhores filmes da Pixar e, além de cativante, traz uma crítica à sociedade moderna. 

5. Jogos Vorazes (2012)

Na nação de Panem, garotos e garotas de 12 a 18 anos são sorteados e obrigados a participar dos Hunger Games, um evento anual televisionado no qual os participantes (tributos) de cada distrito precisam lutar até a morte, até que reste apenas um. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se voluntaria no lugar da irmã mais nova, que havia sido sorteada. Ao lado de seu parceiro masculino do mesmo distrito, Peeta Mellark, ela viaja à capital - o símbolo máximo do poder - para se preparar para os jogos. Direção: Gary Ross. 

Este é o primeiro filme de uma série de quatro (um ainda será lançado), baseada em uma trilogia literária que, por sua vez, foi inspirada no mito grego de Teseu contra o Minotauro. A história é bem interessante e coloquei na lista porque tem um enredo completamente diferente dos outros.

Bônus: GATTACA - A Experiência Genética (1997)

Num futuro no qual os seres humanos são escolhidos geneticamente em laboratório, as pessoas concebidas biologicamente são consideradas "inválidas". Vincent Freeman (Ethan Hawke), um "inválido" nascido sem preparos genéticos, desejava ser astronauta, mas tem em seu código genético predisposição a doenças, o que não lhe permite nada melhor do que o emprego de faxineiro. Mesmo assim, ele consegue um lugar de destaque em uma corporação, escondendo sua verdadeira origem. Mas um misterioso caso de assassinato pode expor seu passado. Direção: Andrew Niccol.

Mostra uma sociedade em que o Estado tem controle sobre a qualidade genética das pessoas, criando preconceitos e divisões sociais, legitimados pela ciência. Lembro de ter visto esse filme na adolescência, quando o genoma humano ainda não havia sido mapeado, e a sociedade retratada no filme era mais ou menos o que se previa/temia que acontecesse. Particularmente, eu ainda tenho medo que isso aconteça. Vamos esperar pra ver.

24 de fevereiro de 2015

Santarém, Pará: um pequeno guia

Já faz quase oito meses desde que deixei a cidade de Santarém, onde morei por mais de dois anos, e voltei para Belém. Ou seja, esse post está mais atrasado que noiva de novela no dia do casamento. Por sinal, o post já estava nos rascunhos há quase um ano porque eu não tinha fotos suficientes, mas resolvi deixar assim mesmo. Já era mais que hora de fazer um guia para o blog sobre a cidade onde nasci, mas que só pude conhecer melhor muito recentemente. Vamos lá, então? Fiz um resumo do que vale a pena ver e fazer na Pérola do Tapajós e onde comer bem (porque dessa parte eu entendo).

Alter do Chão e praias do Rio Tapajós

Em 2009, Alter do Chão foi eleita a praia mais bonita do Brasil pelo jornal britânico The Guardian - sim, à frente de Fernando de Noronha! Talvez o motivo do sucesso do nosso Caribe Amazônico seja a combinação de uma beleza digna de mar - pela cor esverdeada do Rio Tapajós e pela areia branca - com a tranquilidade da água doce.

Para mim, o mar realmente é lindo e impossível de ser substituído quando se trata de praticar mergulho, snorkel, surfar, fazer um cruzeiro maravilhoso etc. Mas para tomar aquele banho renovador, nada como a água doce. Eu confesso que o mar me causa até um pouco de aflição, pela sensação de ter corrido uma maratona depois de 15 minutos lutando contra a correnteza e, não vou mentir, pelo pânico dos bichos (daqueles que estão na minha cabeça, e não necessariamente dos que existem no fundo do mar de verdade).

A Vila de Alter do Chão fica a cerca de 35 km do centro de Santarém e o acesso é bem fácil. A estrada é boa e, para quem não tem carro, os ônibus saem de hora em hora (ou a cada 30 minutos aos finais de semana), por apenas R$ 2,50. O melhor período costumava ser de janeiro a agosto, quando o volume do rio é menor, mas em tempos de clima louco, fica difícil prever. Em 2013 não deu praia até outubro, por exemplo. O prato famoso em Alter é o tambaqui grelhado. O festival folclórico do Sairé (ou Çairé) ocorre sempre no mês de setembro, mas a data exata varia de ano para ano.

Foto: alterdochao.tur.br

Vale informar que Alter do Chão não é a única praia bonita da região, embora seja a única famosa. Desde criança eu frequento a praia do Carapanari, que é tipo o cantinho "secreto" da minha família. Posso citar também as praias de Cajutuba e Aramanaí, no município de Belterra, de fácil acesso por estrada, mas existem muitas outras com cenários lindos que não perdem pra Alter.


Carapanari. Foto: arquivo pessoal



Pôr do sol em Carapanari. Foto: arquivo pessoal


Orla e Encontro das Águas

Cidades com uma orla bem construída sempre são mais atraentes. Do fim da tarde até o fim da noite, a orla de Santarém é o principal ponto de encontro de famílias, casais e amigos que passeiam, se exercitam, pescam, comem e bebem. No Terminal Fluvial Turístico é possível contratar um tour de barco para ver de pertinho o encontro dos Rios Tapajós e Amazonas, com guia (que, por sinal, é o próprio piloto do barco). Para quem ainda não viu o fenômeno, as águas verde-escuras do Tapajós não se misturam às barrentas do Amazonas (algo a ver com temperatura e velocidade) e assim temos a impressão de que elas estão se enfrentando. O passeio inclui uma volta por ilhas e comunidades ribeirinhas próximas, sendo possível ver botos, vitória-régia, garças e outras aves pelo caminho. O programa fica bem mais interessante ao pôr do sol. Não tenho certeza do preço, mas acho que o aluguel do barco sai por volta de R$ 60,00, com espaço para até 4 ou 5 pessoas.


  

Parque da Cidade

O Ibirapuera dos santarenos. É uma grande área para lazer e prática de exercícios físicos da cidade. O lugar tem 1,2 km de trilhas internas, com muito verde em volta, mas muita gente prefere se exercitar na calçada que circunda o parque. Point de corredores, skatistas, patinadores, capoeiristas e outras tribos urbanas e famílias com crianças.  


Centro Cultural João Fona

Santarém é praticamente um grande sítio arqueológico, e neste museu é possível encontrar peças e fragmentos de cerâmica da cultura tapajônica. O acervo conta, ainda, com itens do século XIX, pinturas e até a ossada de uma baleia que encalhou e morreu em uma praia de Santarém em 2007. Infelizmente, o museu não é bem cuidado, na minha opinião. Endereço: Av. Tapajós, Centro.


Comer/Beber

Dom Mani – A melhor pizza da cidade e a única que utiliza fogão a lenha, até onde eu sei. Restaurante, pizzaria e gelateria, a Dom Mani é especializada em comida italiana, com um toque paraense. Recomendo qualquer pizza, já que todas são maravilhosas. Endereço: Trav. Barjonas de Miranda, 55. Aberto só à noite.

Nossa Casa – Com uma ambientação meio rústica, é um restaurante com cardápio variado e pratos exclusivos, com destaque para os peixes. O prato mais pedido se chama Mega Tapajós: pirarucu na chapa com creme de pirarucu defumado e ervas finas, acompanhado de arroz com jambu ao tucupi. Gente, que coisa boa! Endereço: Trav. São Cristóvão (dá para ir a pé da orla).

El Mexicano – O restaurante já me ganhou pela decoração, muito caprichada com ícones mexicanos, incluindo nossos amados Chaves e Chapolin. Mas mais importante: é a melhor comida mexicana que já experimentei até hoje. As costillas ao molho agridoce (foto ao lado) e o taco de picanha são sucessos da casa. Os drinks também são caprichados. Endereço: Av. Mendonça Furtado, 1427. Aberto só à noite.

Peixaria Rayanna – Peixaria mais famosa da cidade. Todos os pratos são muito bons, com a vantagem de terem um preço mais amigo. O ruim do restaurante é que não é climatizado, embora exista uma filial climatizada no do Iate Clube de Santarém (não é preciso ser sócio para entrar). Endereço: Rui Barbosa, 3596, e Rua 24 de Outubro, 3718.

Café Amorim – O primeiro café da cidade tem uma decoração fofa e um cardápio maravilhoso. Café expresso, capuccino, café com Nutella (eu disse NUTELLA), crepes, tapiocas com diversos recheios, tapioca molhada no leite de coco (minha favorita), cupcakes, tortas, milkshakes etc. Endereço: Av. Mendonça Furtado, 2585. Funciona a partir do fim da tarde, de terça a domingo.

Sorveteria Nido – Em Santarém a Nido reina absoluta. Os sorvetes dela talvez não tenham aquele sabor quase de suco natural, mas são bons. Uma das lojas da Nido é self-service: você pode acrescentar frutas, calda de chocolate e outras coisinhas ao sorvete. A Nido está em diversos endereços, mas o self-service fica na Av. Mendonça Furtado.

Kaizen Sushi – Comida japonesa em Santarém é sinônimo de ostentação porque os preços são altos. Acredito que é pela dificuldade no transporte até a cidade, já que os peixes e mariscos têm que chegar frescos, e não congelados, e as estradas são aquela beleza. Mas se é pra comer sushi caro, que seja o melhor. O Kaizen é o restaurante com cardápio mais tradicional. Apenas NUNCA peça os combinados (barcas) ou o rodízio: são absurdamente mais caros do que pedir porções separadas. Endereço: Av. Marechal Rondon, esquina com Cuiabá.



Pra terminar, deixo aqui algumas impressões de uma mocoronga meio forasteira.

Você sabe que está em Santarém quando:

- Existem mais mototáxis que táxis e ônibus na rua. Se você não tem carro, cedo ou tarde vai acabar tendo que usar esse serviço. Apesar dos pesares, é prático. Uma vez passei mal na rua e se aquele mototaxista não estivesse passando ali naquela rua deserta, só Deus sabe quanto tempo eu teria esperado por uma ambulância ou um táxi. Até hoje não sei o nome do cara que me ajudou (e nem cobrou a corrida), mas um dia quero agradecer a ele pessoalmente por ter me socorrido.

- O tucupi é doce. Sim, eles colocam açúcar no tacacá e no pato no tucupi, e não é pouco! Hoje em dia muitos lugares já oferecem as opções "doce" ou "azedo", e apesar de a palavra "azedo" não ser muito apetitosa, é a opção pra quem gosta do sabor mais natural do tucupi.

- Você está andando na rua e rezando pra chegar em um lugar com ar-condicionado. Muita gente diz que Santarém é mais quente que Belém, o que não é bem verdade. O problema não é a temperatura, mas a falta de vento mesmo. Mas a menos que você esteja a trabalho, tendo que usar calça e camisa de botão, vista um short e calce umas havaianas que tá tudo certo!

- O pôr do sol tem um tom lindo e diferente. Não dá pra explicar; só apreciar.